Linguagem neutra na tradução: é possível e viável?

A linguagem neutra vem ganhando espaço e se consolidando como um tema de crescente relevância. Essa modalidade linguística, que evita a demarcação de gênero, emerge como resposta às necessidades de indivíduos que, por variadas razões, não se identificam com as distinções de gênero tradicionalmente presentes na linguagem.

Com a ascensão desse debate em diferentes esferas, naturalmente surgem questionamentos sobre o impacto dessa nova demanda na tradução de variados tipos de conteúdo. Reflexões sobre a viabilidade da aplicação da linguagem neutra em diferentes idiomas, bem como as abordagens adequadas para traduzir textos com linguagem inclusiva de gênero, estão entre as questões emergentes.

Na nossa constante busca por temas relacionados à globalização, consideramos essencial abordar a linguagem neutra. Por isso, decidimos trazer essa discussão para o nosso post de hoje, visando aprofundar o entendimento sobre esse fenômeno linguístico e seu papel no contexto da tradução e da comunicação global. Boa leitura!

Afinal, o que é linguagem neutra?

A linguagem neutra representa uma abordagem comunicativa – aplicável tanto na escrita quanto na fala – que busca eliminar o uso de palavras que explicitamente indiquem o gênero do sujeito. Essa prática se dá em razão de diversas motivações, incluindo a inclusão da pessoa “transgênero”, o combate ao machismo e a contestação de estruturas binárias de gênero tradicionalmente enraizadas na linguagem.

Embora ainda não esteja formalmente reconhecida na norma culta da língua, a linguagem neutra está conquistando adeptos progressivamente. O crescente apelo por essa forma de expressão decorre do desconforto de muitas pessoas com a constante distinção de gênero, frequentemente marcada por um viés masculino, especialmente ao se referir a grupos mistos ou genéricos.

Nesse contexto, algumas pessoas adotam estratégias linguísticas, como a substituição de termos singulares e específicos de gênero por equivalentes coletivos e neutros. Exemplo disso é trocar “o diretor” por “diretoria”, evitando, assim, a atribuição de um gênero específico ao indivíduo.

Outra abordagem comum é a alteração das terminações de palavras que usualmente marcam o gênero, como a substituição das partículas “a” e “o” por outras letras ou símbolos, transformando, por exemplo, “aluna” em “alune” ou “alun@”.

No entanto, essa prática não está isenta de críticas. Alguns argumentam que a linguagem neutra pode ser impraticável, potencialmente dificultando o aprendizado, a utilização e, até mesmo, a tradução para outros idiomas.

Mas até que ponto esses argumentos se sustentam? A discussão é ampla e envolve não apenas aspectos linguísticos, mas também sociais e culturais, destacando a linguagem como um reflexo dinâmico e evolutivo das sociedades.

Argumentos do uso da linguagem neutra

Ao abordar a linguagem inclusiva de gênero, encontramos uma variedade de argumentos. Essa prática tem como objetivo promover a igualdade e a inclusão ao evitar excluir ou ofender aqueles que não se identificam com os papéis ou rótulos de gênero tradicionais. E mais, reflete as atitudes e identidades em constante evolução sobre o gênero na sociedade contemporânea.

Essa prática também busca eliminar implicações de que certos papéis ou características sejam exclusivos de homens ou mulheres. Assim, o movimento pela neutralidade na comunicação surge em resposta à necessidade de representar todas as pessoas de maneira justa, independentemente de seu gênero. Ao mesmo tempo, reconhece-se que a linguagem está sempre em transformação, assim como os valores culturais que ela expressa.

Por outro lado, a implementação de uma linguagem inclusiva de gênero não está isenta de desafios e críticas. Há quem argumente que tais mudanças podem complicar a comunicação e afetar a fluidez do discurso. Já algumas pessoas se preocupam com o respeito às regras gramaticais estabelecidas e com a preservação da língua como um legado cultural.

No entanto, é importante notar que as línguas são dinâmicas e se adaptam ao longo do tempo para refletir as demandas e os valores das sociedades que as utilizam. Por isso, a inclusão de formas neutras ou alternativas na comunicação pode ser vista como uma evolução natural da linguagem, alinhada ao espírito de respeito mútuo e reconhecimento da diversidade humana.

É possível aplicar a linguagem inclusiva na tradução?

Sim, é possível – e, em alguns casos, nada difícil! Um idioma é vivo e muda conforme os costumes e necessidades de uma época, portanto essa aderência à linguagem inclusiva não é uma barreira. Basta fazer as adaptações necessárias tomando cuidado para manter o mesmo sentido.

Nós entendemos que essa preocupação na aplicação se dá, entre outras questões, porque o português é uma língua que tem muitas marcações de gênero. É fácil perceber que em nosso idioma existe essa distinção entre masculino e feminino na maioria das palavras que se referem diretamente a alguém, e parece uma tarefa muito difícil eliminar essas designações.

No entanto, não podemos esquecer que não é em todos os idiomas que as regras gramaticais se comportam assim.

Voltando no exemplo que já demos, na palavra “aluno”, existe essa opção para o masculino e “aluna” para o feminino. O mesmo termo em inglês seria apenas “the student” ou em espanhol “estudiante”, independentemente do gênero a que está se referindo. Assim, já dá para ver que essa nova forma de estruturar as sentenças é, sim, possível de ser feita mesmo na tradução de alguma mídia.

É preciso saber, também, que nem todas as vezes será viável usar uma palavra 100% neutra, então o certo é recorrer à tática de se referir ao todo, ao coletivo, deixando implícito que está falando com pessoas de todos os gêneros – ou as que não se identificam com nenhum deles. 

Nesse caso, se desejar fugir do uso do masculino como demarcador de grupo, busque palavras que expressem a coletividade, mas usem pronomes femininos – essa mudança já faz uma grande diferença para muitas pessoas!

De fato, qualquer pessoa pode fazer essas pequenas substituições no dia a dia, seja na sua língua materna ou durante uma conversa em outro idioma, a fim de promover uma comunicação inclusiva e que respeite as identidades múltiplas que existem. 

Mas essas substituições ficam mais difíceis quando são para documentos pessoais ou para arquivos com validade legal, pois são tarefas que exigem total fidelidade ao conteúdo original. E é nesse momento que os tradutores profissionais entram em ação para resolver o problema!

Linguagem inclusiva de gênero em inglês

A língua inglesa, feita de forma inclusiva, é uma ferramenta poderosa para criar um ambiente de comunicação mais acolhedor e respeitoso. Ela reflete a diversidade e a inclusão na forma como nos expressamos.

Por exemplo, o uso de pronomes neutros, como “they/them”, evita suposições sobre o gênero de uma pessoa e inclui aqueles que não se identificam com os binários tradicionais. Ao adotar termos neutros, como “flight attendant” em vez de “stewardess”, removemos as barreiras de gênero associadas a determinadas profissões.

Assim, seja no inglês ou no português, essa linguagem é possível de ser utilizada, contribuindo para um mundo mais igualitário e justo.

Importância de um profissional em traduções com linguagem neutra

O aumento do debate sobre linguagem neutra nos dias atuais está em diversos espaços, isso faz surgir demandas muito específicas, principalmente para traduções, e nessas horas contar com a ajuda de um profissional é indispensável. 

Afinal, uma pessoa que apenas é fluente, mas não especializada nesse ramo, poderia ter mais dificuldades e acabar cometendo algum erro por falta de conhecimento de algumas equivalências, ou até se confundindo com um falso cognato.

Utilizando uma tradução técnica, por exemplo, o profissional fará as substituições necessárias e encontrará os termos corretos para cumprir a exigência gramatical do outro idioma, deixando também de marcar o gênero na frase.

Além de ter capacitação para tal tarefa, esses especialistas conhecem a fundo o vocabulário de setores que nem sempre são aprendidos em uma educação bilíngue comum, consequentemente, possuem maiores recursos para fazer as mudanças sem alterar o sentido de nada.

Se o caso for ainda mais específico, de uma tradução de um documento em que deseje aplicar a linguagem inclusiva de gênero, será preciso recorrer a um tradutor juramentado para que esse arquivo mantenha a validade legal em outro idioma. 

Portanto, a importância de contratar um profissional desse ramo vai muito além das questões gramaticais, adentrando o campo judiciário.

Para suprir essas necessidades do mercado, existem empresas especializadas na tradução de diferentes mídias, eventos e documentos oficiais. Dessa maneira, é simples encontrar profissionais qualificados em uma variedade de idiomas e que irão te ajudar caso deseje utilizar a linguagem inclusiva em algum material.

Todas essas discussões sobre linguagem neutra são novas, mas nem por isso são menos importantes – e estão ganhando força por todo o mundo. Caso queira aprender mais sobre comunicação, linguagem e tradução, continue acompanhando o blog da Easy TS.

Estamos sempre conectados com o que há de mais atual nessas áreas, trazendo conteúdos que ajudam desde pessoas que apenas querem descobrir mais sobre outro idioma até o setor empresarial que precisa (e muito) de transposição de idioma para uma série de processos. 

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Confira também: O que é tradução juramentada | Tradução consecutiva | Tradução jurídica

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Bruno Pereira

Bruno Pereira

Formado na área de TI com cursos direcionados a atendimento ao cliente, gerenciamento de processos e otimização de recursos, possui mais de 5 anos de experiência no mercado de traduções ajudando pessoas e empresas a falarem o mesmo idioma. É o atual CEO da Easy Translation Services.

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